terça-feira, 5 de abril de 2011

Celebridade

Foi lançado o filme sobre a vida da ex-prostituta Bruna Surfistinha e, rapidamente, diversos colegas já se apressaram para verem o filme e se aprofundarem na intimidade nada íntima da personagem principal. Surpresas ficaram várias pessoas ao me ouvirem dizer que esse filme eu não assistiria em hipótese alguma, pois o pouco que eu conheço da vida da Rachel Pacheco não justifica a sua transformação em celebridade.

Chamam-me de conservadora, preconceituosa e tantos outros nomes, mas a verdade é que esse filme é um desrespeito com diversas pessoas que estão na realidade da prostituição porque se meteram numa furada. A vida se transformou numa desgraça por causa da vida "profana". Aí, surge uma menina de classe média alta que decide seguir este caminho, por que? A vida estava sem graça? Entediante? Não valia o esforço para seguir outros rumos? Não existia outros rumos? Oras, não me importa os motivos da Rachel Pacheco ter optado por escolher o caminho da venda do próprio corpo para emergir (!) como pessoa. O problema não é ser puta. O problema é ter sido uma puta, que a única coisa que fez na vida foi ser puta. Uma puta digna da atenção da globo (rá... quem disse que quem tem boca vai à roma, não conhecia os contatos!).

Ser célebre, para mim, é ter motivos para ser lembrado e ovacionado por atitudes dignas de respeito e proliferação e não porque as "tetinhas da Débora Secco aparecerão no telão". 

Assunto que me faz lembrar de uma crônica da Fernando Pessoa:

Crônica da Vida que Passa 

"Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles toda a tristeza da celebridade. 

A celebridade é um plebeismo. Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeismo porque estar em evidência, ser olhado por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes da sua vida doméstica; é sempre como se fosse excessivo o seu traje; e aquelas suas mínimas acções - ridiculamente humanas às vezes - que ele quereria invisíveis, coa-as a lente da celebridade para espectaculosas pequenezes, com cuja evidência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito grosseiro para se poder ser célebre à vontade. 

Depois, além dum plebeismo, a celebridade é uma contradição. Parecendo que dá valor e força às criaturas, apenas as desvaloriza e as enfraquece. Um homem de génio desconhecido pode gozar a volúpia suave do contraste entre a sua obscuridade e o seu génio; e pode, pensando que seria célebre se quisesse, medir o seu valor com a sua melhor medida, que é ele-próprio. Mas, uma vez conhecido, não está mais na sua mão reverter à obscuridade. A celebridade é irreparável. Dela como do tempo, ninguém torna atrás ou se desdiz.

E é por isto que a celebridade é uma fraqueza também. Todo o homem que merece ser célebre sabe que não vale a pena sê-lo. Deixar-se ser célebre é uma fraqueza, uma concessão ao baixo-instinto, feminino ou selvagem, de querer dar nas vistas e nos ouvidos. 

Penso às vezes nisto coloridamente. E aquela frase de que "homem de génio desconhecido" é o mais belo de todos os destinos, torna-se-me inegável; parece-me que esse é não só o mais belo, mas o maior dos destinos. (...)"

Depois, num dia qualquer, a sociedade levanta os olhos e tenta entender porque os valores estão tão distorcidos... Porque ninguém mais tem valores ou princípios.

Um comentário:

Vivian disse...

na verdade amiga, se voce ler o livro dela voce va entender melhor o filme, desde nova ela ja era danadinha..rrsss"mas so no livro conta a historia real dela, parece que ja estava no sangue ela ser garota de programa.ela nao entrou numa fria ou simplesmente decidiu do nada ser uma mulher do sexo.caso tenha curosidade leia apenas o inicio, ai voce vera do que estou falando, filme é filme, omito muitas coisas...
bjooos
te adoro