terça-feira, 16 de março de 2010

Eu aceito.



Sabem, coisas que eu não entendo muito bem me deixam às vezes muito intrigada. Por exemplo, relacionamento aberto. O que é isso?

O que quer dizer quando um casal resolve ter um relacionamento aberto, e o mais legal de tudo é que ambos aceitam numa boa, tem suas regras de conduta, seus princípios, etc.? Até aí tudo bem.
Duas pessoas chegam num acordo, cumprem aquele acordo muito bem e assim vão vivendo.

Eu sou estudante de direito então a gente compreende bem as cláusulas de um contrato, até mesmo daquelas "Eu aceito que nós tenhamos a liberdade de sair e nos relacionar, de forma casual, com outras pessoas". Mas nós, estudantes de direito e futuros profissionais, existimos para solucionar os litígios, que surgem quando alguém viola uma das cláusulas contratuais, do tipo "Nunca te largarei por nenhuma pessoa com quem me envolvi casualmente" mas aí vai e larga. E agora? Como fica?

Eu não entendo essa modalidade aberta de se relacionar com ninguém, porém mesmo assim é bom colocar os pingos nos "is". Eu não acredito que exista altruísmo quando se aceita ter um relacionamento aberto com uma pessoa, pelo contrário, acredito ser o puro egoísmo ou a pura dependência emocional. Por exemplo, alguém no relacionamento não está disposto a simplesmente terminá-lo e aceita qualquer negócio para procrastinar o inevitável: o fim.

Quando o fim chega, através das histórias a gente percebe o quanto era mal resolvida a questão. A mulher, por exemplo, do relacionamento aberto agora se sente como o esposa traída e começa a dizer que aquela terceira pessoa que era o relacionamento casual do seu parceiro é a responsável por tudo, que é a pessoa má. Porém, calma lá...

Primeiro, relembremos as cláusulas de um relacionamento aberto: "Nós podemos ter relacionamentos extraconjugais sem caracterizar traição".
Segundo, relembremos que as cláusulas foram devidamente aceita por ambos os cônjuges.
Terceiro, concluímos: se havia uma cláusula e um aceite, cadê a traição?

Vamos seguir a linha do raciocínio agora abrangendo o lado daquela terceira pessoa, aquela extraconjugal.

Se não existe traição, a terceira pessoa é uma amante?

Eu vejo que não. Aliás, ao meu ver, entre esposa, marido e a terceira pessoa, a única enganada de fato, pela esposa e pelo marido, é a terceira pessoa. Porque ela, em 99% dos casos, simplesmente não sabe da existência desse relacionamento previamente estabelecido. Daí, realmente, eu concordo, essa pessoa é a única enganada nessa relação. E por isso sou plenamente contra essa palhaçada de relacionamento aberto, que não passa de uma desculpa maquiada de altruísmo para pular a cerca a vontade.

Mas ainda não acabou... A partir do momento que uma das partes do relacionamento aberto diz que quer terminar isso, porque já não tem interesses em continuar, e a outra parte começa a se sentir a vítima da história, a traída, a imaculada esposa Amélia que foi deixada para trás. Daí entramos na parte patológica da questão. Aquele famoso Amor Patológico ou no mínimo falta de auto-estima, "mas mesmo assim, você insiste, se sacrifica, anula sua personalidade, continua tentando..." (Robin Norwood).

Vamos ser objetivos, quando chega nesse nível de situação o conselho é: se não consegue lidar com as consequências das decisões tomadas, busque ajuda profissional para ajudar as pessoas que estejam nessa situação para, no mínimo, tomar responsabilidade pelas próprias escolhas, ao invés de ficar procurando outros responsáveis que simplesmente não tem nada a ver com seus problemas.

Fantasiar é fácil... muito fácil... Difícil é ver a lama que você mesma se enfiou.

Auto-estima, mulherada! Dignidade! Orgulho! Evolução! Relacionamento aberto é criação masculina.

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